Palavras, poesias, poemas, versos, sonetos, estrofes, contos, crônicas, pensamentos, devaneios...
O caminho...
Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.
Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.
Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade
Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.
Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.
Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.
É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.
Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.
Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.
É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.
Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.
Humana sou.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Próxima
Na minha garganta sinto a secura da sede
Peço, por favor, dá-me um copo d’água.
Também encontro-me sensível ao frio
Consegues-me um agasalho?
Intimido-me em dizer a verdade
Francamente o que desejo
É um abraço acalorado.
Avizinho-me tão desamparada
Confino-me tão sombreada
Verto-me em lágrimas minguadas
Para destacar entorno-me num nada.
Transfigurei-me
Estou triste, percebes?
A tristeza me põe cansada
Dentre a multidão sinto-me tão só
Fiz-me de mim uma pessoa isolada.
Queria gozar de alguma razão
Queria fruir de um motivo qualquer
Para entender todo esse por quê.
Sigo sem qualquer outra ambição
Nada mais vai além no meu coração
Coloco minhas mãos sobre a cabeça
E recorro a mim
Ordeno-me que eu me esqueça.
Passei a repugnar a minha pessoa
Refuso nesse instante o meu formato
Desse modo consigo me alimentar
Desse modo consigo adormecer.
O sono me ajuda no giro
O sono dá-me algumas horas para esquecer
No sono encontro um pouco do viver.
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