O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Pilhéria
























Todas as vezes em que penso sobre a vida creio mais precisamente que essa não passa de uma grande brincadeira narrada diariamente, na terceira pessoa, por não sei quem, tendo como pretensão tornar essa pilhéria menos miserável.

Acredito que esse alguém, de posse dessa prosa abjeta, quando da sua criação, ambicionou, assim, manter-nos esticados, na posição vertical, eretos, marchando rumo a algum lugar, que também não sei aonde fica e menos ainda o que pode nos oferecer. E mais, esse alguém, acreditou que dessa forma poderia nos cegar frente às injustiças que nossos olhos alcançam e, desgraçadamente, acostumaram-se a ignorar.

Esse chiste consiste no poder de desbotar um a um impiedosamente, de forma feroz. Estamos nos tornando cada vez mais singulares.

Caso o infame, ou a infame, sei lá, não tivesse tornado a vida uma piada estaríamos deitados, de peito para baixo, nas calçadas frias, lambendo a poeira adquirida através da infeliz e crescente ignorância humana.

Talvez fosse mais digno para se brincar de viver.

Quem sabe a poeira afastasse essa cegueira proposital concedida por esse alguém, que eu não sei quem é, sério, não faço a menor ideia mesmo de quem seja esse sujeito, apropriado, ao meu ver, de uma pífia estranheza e atuando eficazmente de forma deveras ordinária.
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