O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Estranha melodia intrínseca























É hora de admitir que passeia dentro de mim um leve sussurro
Entoando de dia, de tarde e de noite
Assumo que não sei defini-lo bem, sinceramente, sei não
Talvez eu possa dizer que ele se assemelha
À uma música foliando minhas entranhas na contra-mão.

Todos os dias agradeço a ele por me visitar
Afinal, nem todos podem consigo carregar
Sons intrínsecos, que em sua totalidade, promovem uma melodia suave
Vai além, detém o poder de me transmitir paz e consolo
Coisas que sempre ambicionei porém, sob vasto pranto.

Quando ele está presente emitindo seus doces murmúrios
Faz com que meu corpo elabore movimentos coordenados
Parece que sozinha consigo dançar travando, mesmo desacompanhada,
Uma coreografia, eu única, num enorme salão.

Ele deixa escapar um brilho abranda minha face,
Torna-se fácil de reconhecer
Que, de forma mágica, instantaneamente,
Também me induz pelo caminho da paz
Enquanto se espalha dentro de mim e
Balbucia uma canção.

- Não se vá sussurro
Não se vá
Peço que não me deixes nunca mais
Agora tu sabes, conseguistes reconhecer
Que com teu jeito acanhado
Pacificou meu desamparado ser.

- Não se vá sussurro
Não se vá
Eu, submissa, suplico-lhe
Se quiseres me ajoelho agora
E mesmo sem conhecer sequer uma oração
Para ti criarei, asseguro, em forma de prece,
Uma forma modesta e genuína de gratidão.

- Não se vá, sussurro
Não se vá.
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