O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Transtorno


















Sonhei um sonho
Noturno
Lento
Profundo
Gostoso
De ser sonhado.

Nele vi Isabela
Fazendo jus ao seu nome claro
A face reluzindo ao ar.

Depois avistei Maristela
Algo incomum aconteceu,
Foi Joana quem eu cumprimentei.

Em seguida vi Franciscana
Atravessando a calçada escura
Alto gritei: Olá dona.

Quando avistei Ana
O olhão azul a brilhar
Vi neles minha sombra
Agradeci e tomei rumo.

No bar da esquina
Foi com Fabiana que conversei
Danada, conheço-a bem
Querendo me fazer crer
Que ainda não tem ninguém.

Atrás da praça esverdeada
Nena compareceu
Acenou sorridente
O sorriso de sempre
E voltou para casa
Confidenciou-me que aprendera
Uma nova receita
E ia por em prática
Para a família meio afoita.

Sonhando caminhei um pouco mais
E não é que dei de cara com um belo rapaz?
Veio ao meu encontro falou oi
Eu tonta não soube o que fazer.

Gerri apareceu
Contou do seu novo dever
Resmungou um pouco
A falta de tempo pra tudo
E foi embora antes de eu
Sequer mencionar oi.


João passou por mim
Sorriso escancarado
Tascou um beijo na minha cara
E foi curtir uma farra.

Pedro cruzou com pressa
A calçada esburacada
Cumprimentou-me com leveza
E de costas acenou
Deu para escutar
O estalo do beijo no ar.

De repente sem esperar
Sebastião resolveu
De novo e como sempre
Ficar a me azarar.

Lucca veio logo ao meu encontro
E gentil como sempre
Arrancou-me daquela situação
Adeus azaração.

Trazia embaixo do braço
Um buquê de rosas brancas
Pediu que eu entregasse
À sua mãe na quitanda.
- Tá bom menino, tá bom.
Agora vou embora.
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