O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Meu menino


















Não posso deixar a ilusão tomar conta de mim. Tenho que olhar para essa situação e vivê-la de forma real.

Enquanto me preparo, meu querido, para recebê-lo da forma que você merece.

Meu intento é preparar um ambiente onde tu possas desfrutar das alegrias as quais você mais do que ninguém merece.

Bem aventurado será aquele (a) que ao te olhar possa enxergar e ir pouco mais além da tua bela aparência física e encontrar teu coração carregado de bondade e generosidade.

Bem aventurado será aquele (a) que não mencione qualquer palavra que possa ser dura ou cruel. Ninguém, ninguém afirmo, tem esse direito e asseguro-lhe que jamais permitirei. De forma alguma.

Sou feliz por ser sua mãe. Tenho orgulho de tê-lo como meu filho e sou grata por tê-lo gerado. Todos os dias o abençôo e rogo para que tu desfrutes dos verdadeiros momentos preciosos da vida. Esses que ocorrem em minutos e nos enchem de felicidade. Felicidade essa arrebatada das pequenas coisas e dos pequenos momentos de nossas vidas.

Eu te abençôo João Gabriel e, sinto, mas não vou mentir, que do alto da minha descrença religiosa e do alto das dúvidas que carrego comigo quanto à existência de um ser supremo. Como tua mãe tenho esse direito. Inclusive permito-me esse vacilo, essa contradição.

Ao abençoá-lo sinto uma referência que não sei explicar de forma clara, nem sei no que a baseio, mas envolvo-me numa verdadeira e profunda intenção de rogar aos deuses, sejam eles quais forem, que tu possas rapaz ser feliz em sua generosidade, em teu coração, através dos pequenos momentos que nos permitem saborear o que é de fato a felicidade.

Ofereço-te meu riso.

Com amor

Sua "Mãezinha"
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