O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

sábado, 26 de junho de 2010

Contenda










Quando me perguntam quem sou
Ou quando me perguntam o que sou
Até mesmo quando questionam como estou
Ou finalizam perguntando para onde vou
Fico com medo
Nunca sei o que dizer.

Vergonhosamente simulo no pensamento
Algumas frases para quem sabe responder
Calo. Seguro-as comigo
Se ditas soariam falsas
Se ditas circulariam buscando lugar
Assim como quando se dança uma valsa.

Depois simulo mentalmente outra resposta
E não falo para o questionador
Guardo comigo tenho medo do que poderia parecer
E com base nisso a pessoa me julgar.

Penso eu que sou uma mistura
Metade gente, metade suplício
Sempre a espera de mais um sacrifício
Para continuar a lidar
Quase que dignamente com a vida.

Vou um pouco além
Parece-me que tenho hora marcada
Clamando por uma palavra sagrada
Para que eu possa, por fim,
Atirar longe o copo de veneno
Que conservo sobre a mesa de estar.

Não poderia dizer
Nada diferente do que isso
Seria mentira do meu ser
Soaria mais um sacrifício.


Na minha imaginação
O veneno de mim teria compaixão
E me libertaria de vez
Do futuro que não encararei.

Sim. Não encararei
Se não for com o copo
Cheio de líquido escuro
Será de outra forma
Quem sabe de um jeito mais puro.

Apego-me à essa futura vivência
Para poder viver
Esperando a hora de morrer
Comigo levarei a sobra da esperança
Aquela com quem pouco contei.
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