O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Letramento – Artigo Revista Mackenzie edição/41 - página 22

“OS LIMITES DA NOSSA LINGUAGEM SÃO OS LIMITES DO NOSSO MUNDO” por Ludwig Wittgenstein


Li há pouco uma reportagem na revista Mackenzie, edição 41 - ano 2008 - pág. 22, intitulada “OS LIMITES DA NOSSA LINGUAGEM SÃO OS LIMITES DO NOSSO MUNDO” por Ludwig Wittgenstein.

Faço um breve resumo:

- 28% da população brasileira sabem ler e escrever PLENAMENTE;

- 72% são considerados analfabetos funcionais

Divididos em:

- 40% apresentam o nível básico lendo e compreendendo apenas textos fáceis e, ainda assim, com dificuldades de interpretação;

- 25% são considerados analfabetos rudimentares que só conseguem identificar informações em textos curtos e

- 7% são completamente analfabetos, incapazes de ler uma palavra ainda que simples.

APENAS 20% DA POPULAÇÃO BRASILEIRA TÊM A ESCOLARIDADE MÍNIMA OBRIGATÓRIA: Ensino médio e Ensino fundamental.

Imaginava mais ou menos esse panorama, mas, ao constatá-lo na entrevista encharquei-me de uma profunda tristeza.

Imaginem olhar uma palavra escrita e não conseguir identificar o que ‘aquilo’ quer dizer.

Penso nas pessoas analfabetas em ponto de ônibus atentas a todos os ônibus que passam, sem identificar o nome, orientando-se por cores ou números e, vez ou outra, perguntando para alguém ao seu lado se o ônibus tal já passou.

Se pensarmos sobre o título da reportagem concluiremos o quão pequeno e limitado é o mundo de uma pessoa não letrada.

Penso em quantas vezes isso aconteceu comigo. Quantas vezes já me perguntaram. Talvez, um (a) analfabeto (a) usando uma forma de chegar ao seu destino, sem demonstrar que não sabia ler.

Vejo aqui um método de esconder a vergonha por não saber ler. A vergonha não pertence a eles (as). A vergonha pertence ao Brasil.

Grata!
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