O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Temeroso discorrer tua ausência

Queixo em demasia tuas lacunas
Não concebo indispor tua presença
Não cultivarei somente tuas sobras
No fundo de uma gaveta por amor esqueça

Tenho medo tenho pressa
Sou ansiosa inquieta
Admitias bem antes
Agora aceitas muito mais

Há um temor grande não impetrar
Lidar com a situação hesitar
Eis uma nova etapa
É aqui que dispõe-se outra porta na vida
Vivida por nós - um e dois – a sós

Apreendo-me intimidada
Quando se traz à baila o tempo imperioso
O que perpetrarei em minha temporada
Algo a improvisar nas horas vagas

Nesse momento meu amor
Meu desejo é encontrar-me contigo
Nesse momento meu querido
Agonia-me cobiçá-lo sem senti-lo

Há tempos não vivia algo similar
Um alguém tão próximo a mim
Homem cuidadoso que és a me acalmar
Atinado bem como deveras apaixonado

Há estações vago atravessadamente noites escuras
Trafegando madrugadas embrenhadas
Buscando o porquê do antigo sofrimento
Esqueço

Agora se faz passado
Deixado de lado alongado
Carecidamente finado acurado
Mereço

Peço, não me deixes
Peço, monopolizes a expiação
Peço que alcances a situação
De estar unicamente meio com medo

Trafico: Eu a escrever alucinada
Com a cara quase que lavada
Você a podar plantas a tirar ervas
Fazendo arroz e improvisando a salada

A história acontecerá de forma pacata
Essa que agora teima e contra-ataca
Discrepando do vivido e imaginado
Discordando do passado tão planejado

Queremo-nos um mais que o outro
Não há entusiasmos a aferir
Não há estaturas nem há peso
Menos ainda comedimentos
Há nessa era nossos desejos

Não se chora mais nem se lamenta
Eis meu amor à nossa frente
Um mundo acenando de cara pra gente

Eis meu amor na nossa frente
A vida ofertando-se acabrunhada
Eis meu amor na nossa cabeceira
Mais uma chance límpida transpirada

Faz-se agora imperioso vigiar
Ter acurado cultivar
Com amor amar
Com carinho afagar
Sem pudor descomposturar

Atravessei quase tudo atravanquei por quase todos
O que sinto não me é nada novo
Menos ainda trivial
O que dizer de abjeto ou senão banal

Vejo como raro assisto como belo
Vejo como puro percorro como deleitoso
Algo a viver tão único e tão apetitoso

Toma-me em teus braços
Acolhe-me e aperta-me
Amolga-me enfim
Teu amor a embaraçar em mim

Para perdurar meu querido
Abafa-me em tua astúcia
Em teus braços serenarei na fleuma
Em teus estreitos serei feliz
Viverei calma viverei plena.


Ferdinand by Victor Delacroix
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