O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Contemplação



















Eu nunca vou entender isso.

Eu nunca vou querer entender isso.

Eu nunca vou suportar entender isso.

Mas, reconheço: Nunca conseguirei me distanciar disso . Pois assim sou eu, assim fui eu e assim serei eu até o dia em que deus (ele???), tenha um pouco de misericórdia e tire-me, arranque-me, arraste-me daqui.

A imagem que você vê agora, essa do retrato, simboliza minha história. Remete ao meu eu por completo.

Dizem, sempre os mesmos infelizes dizeres, que nos acostumamos a tudo na vida.

Sucumbi à falácia:

Há tempos eu me acostumei à solidão.

Há tempos eu me acostumei aos meus dias isolados.

Há tempos eu me acostumei a manter a janela do quarto fechada impedindo o sol de entrar.

Há tempos também eu me acostumei a calar, não tenho com quem falar.

Agora vou te revelar algo que até então somente ficara comigo: Adoro minha solidão. Entreguei-me a ela por livre arbítrio. Fiz minha escolha.

Sou sempre questionada pelo meu modo de viver e até tempos atrás explicava tim tim por tim tim chegando à exaustão de tanto querer justificar ao filho da puta intrometido que me indagava.

Resolvi que de agora em diante frente a quaisquer questionamentos ou infelizes conselhos ei de dizer somente uma única e curta frase: "Eu não sou você. Então, meu caro, vai te fuder".

Repito para que não pairem dúvidas pelos ventos: "Eu não sou você. Então, meu caro, vai te fuder".

Até (nunca mais).
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