O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Companheira
















A solidão o acompanha
Tornou-se uma amiga eficaz
Ele pede trégua, pede distância
Mas ela não dá, segue rumo,
Sem lhe ofertar paz.

- Solidão - pergunta ele -
Porque és comigo tão presente?
Porque ateou comigo
Esse elo permanente?

Sem resposta ele caminha triste
Caminha preocupado
Tem medo da sua mente perturbada
Tem medo de se atirar na estrada.

- Solidão - pede ele -
Ouça-me ao menos uma vez
Desvie teu caminho do meu
Desfaça o nó que tu fez.

Já não roga mais,
Agora ele implora um caminho tranquilo
Um caminho apaziguado o homem chama.

Sabe que não virá
Está fadado ao que tem
Sonha com o que não será
Perde-se na ilusão
Perdido está
Perdido ficará.
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