O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Oi mãe tô aqui























Oi mãe
Não quero eu com minhas coisas te incomodar
Mas preciso tanto dizer a ti
O que passa aqui dentro de mim.

No fundo do meu peito
Aqui do lado direito
Repousa uma dor aguda
Mãe, é uma dor tão profunda.

Não sei o que poderia eu fazer
Para essa dor parar de doer
Tento forçosamente chorar
Porém, as lágrimas à minha face não vêm.

Mãe, poderias tu nesse momento
Com tua força e teu amor
Meu corpo em teus braços tomar?
No teu colo, mãe, preciso chorar
Quem sabem, assim, tu consigas  
Minha dor aliviar? 

Mãe, podes me abraçar?



P.s.: Depois de escrever essas linhas telefonei para minha mãe e perguntei se poderia ler algo que tinha escrito para ela. Disse que sim, claro, poderia. Pediu apenas que eu não me demorasse muito pois, ia sair.

Ao término da leitura ela me disse assim: “Posso minha filha, posso sempre te abraçar”.

Mãe, obrigada. Eu te amo muito. Muito obrigada.





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