O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Gill Benicio e as Palavras

Sempre gostei das palavras. Não me recordo muito bem quando comecei a carregar o Aurélio na bolsa. Sei que faz um bom tempo. Hoje ele está guardado numa mesa no meu quarto porque o dicionário virtual chegou, mas não me desfaço do meu primeiro Aurélio.
Lembro bem que tinha receio de que alguém me perguntasse algo, como o sinônimo ou significado de uma palavra, e eu não soubesse responder. Ficava doida só em pensar. Quando isso ocorria recorria ao livrinho, claro. Portanto, ele sempre esteve ao meu alcance.
Mas, também lembro-me de apreciar as palavras.
Ou no livreto ou no pensamento elegia a palavra mais bonita, a mais feia, a mais estranha, a mais difícil, a mais forte, a mais apropriada – são poucos os que sabem apropriá-las adequadamente. (Desculpe, mas é a mais simples e pura verdade. Eu e você sabemos disso).
Meu pensamento ficava viajando nas letras, sílabas, no ritmo, na sonoridade, e nas rimas. Nossa, eu já pensava em rimas não sei desde quando. E música então. Consumia as letras – ainda consumo - Nunca deixei escapar uma frase sem eu entender, nem que para isso tivesse que voltar o vinil cem vezes até ter toda a letra no papel.


Comecei a escrever na adolescência sem nenhuma pretensão. Passei minha vida adulta distante do mundo das letras. Reencontrei-me nas linhas aos quarenta e poucos anos de idade. Reencontrei-me pura, sábia, simples, profunda, mágica nas rimas e, principalmente, verdadeira.


Não omito um pensamento nem guardo para mim o que quer que seja. Coisas que passam pela minha cabeça, páram no meu coração e voltam à minha cabeça, sem dividir com as pessoas.


Quanto às pessoas lerem ou não é outra história. Sei que dividi meus escritos de forma equivocada. Não o fiz de forma certeira. Meu público ainda é muito pequeno. Espero ampliá-lo. Desejo mesmo. Não me sinto prepotente admitindo que posso ser lida e admirada por muitos e, claro, também ignorada por outros tantos, afinal esse poder, abençoadamente, a liberdade nos propicia.


Te aguardo não sei quando, não sei aonde. Mas sei que nos reencontraremos.
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