O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Adeus








A suplicação é tua e o fado é meu
Encontramos um ao outro e fomos felizes
Até que tudo se perdeu.

Saibas agora meu rapaz
Que não permitirei mais que me ofendas como fazias
Saibas agora meu rapaz que não permitirei mais que humilhes como fazias.

Nossos caminhos são diferentes
O meu reluz água límpida
Porque sou ingênua e demasiadamente crente
Porém, em ti não creio mais.

O teu reluz inadequação
Do teu peito não jorra
Sequer uma canção.

Vai-te embora
Farei o mesmo
Saia do meu caminho
Sairei to teu
Temos permissão agora
De errarmos sozinhos e separados.

Um pouco mais infelizes haveremos de ser
Você com tuas idéias brilhantes
E eu com meu jeito de ex-falante.
Também com minhas fraquezas
E meu jeito simples de acontecer.

Infelizes haveremos de ser
Cada um com seu caminho deteriorado
Nada e nada deixado de lado
Nada e nada não mais perdoado.

Seguiremos com nossos corações rancorosos
Temos uma vida pela frente
Se quisermos vivê-la
Haveremos de ser totalmente diferentes.
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