O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

terça-feira, 23 de junho de 2009

deus












Asseveraram-me que tu existes
Asseveraram-me que tu acalantas os corações amargurados
Asseveraram-me que tu apaziguas as mentes cansadas
Disseram-me até que tu serenas as dores
Dos que são fortes e dos que são fracos.

Todos os dias
Falam muito em teu nome
Chamam-te, rogam-te, enunciam-te
Quanto a mim
Não sei como te invocar
Não te conheço
Nunca te vi
Nem sei mesmo qual é o teu lugar.

No meu pescoço
Carrego um adorno
Daquele que disse um dia
Ser a tua cria.
- Não consigo retirar –

Essas sentenças cortam a minha pele
Essas sentenças afinam o meu sangue
Essas mesmas sentenças
Travam a minha garganta de fala rouca.

Em meus ouvidos
Os sons seguem acorrentados
Em meus ouvidos
Os sons entoam fortes
Ofertando-me um passaporte
Ao mesmo tempo em que
Anelam minha pessoa
Ao mesmo tempo
Em que anelam a minha existência.

Incito tua presença
Se em algum lugar estás
Vem e te apresentas.

Curioso é que diariamente
Algo me desvia
Das armadilhas que me propicio
Curioso é que quando chega a noite
Do mundo o sono me distancia.

Disseram-me que isso – desculpe não sei como denominar -
Que me acalanta
Todos os dias
És tu que me propicias.

Não rio mais
Travei minha boca
Recolhi-me ao concreto
Porque de abstrato
Eu sozinha já me basto.

Faço-te um convite
Se é que tu realmente existes
Venhas me visitar
Falar-te-ei dos meus dias
Que seguem agarrados
À tão poucas alegrias.

Desafio-te
A me conhecer
Porque anseio te avistar
Quem sabe assim
Possa eu em tu acreditar.

Durante essa visita
Tu me contas uma história
Qualquer que seja
Vinda à tua memória
Quem sabe assim
Possas isso para mim
Validar tua aclamada glória.
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