O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Enfim, a brisa.




Sei que sou cruel
Sei que sou arrogante
Sei que sou mentirosa
Sei que sou pouco tolerante
Mas, também sei o quão sou inteligente
Desconheço a generosidade da minha criatividade
Desconheço os rumos que alcança minha perspicácia
Assim como, até outro dia eu desconhecia 
A dimensão da minha ex-desgraça.


Sei que choro muito
Sei que isso é irritante
Sei que passo dos limites por ser considerada 'muito transparente'
Mas, também sei o quanto sou valente
Sendo assim não ligo mais, ligo não
Afinal limite algum estabeleci para mim
Conclui, por fim, que não devo nada à ninguém
Nem mesmo para mim
Também conclui, enfim
Que não devo nada para o mundo
O mundo é que deve algo pra mim
Portanto senhor mundo precisamos conversar:
Intimo-o agora 
Resposta quero na hora:

- Sr. Mundo já passou do tempo de me pagar. 
E então? Vamos lá?
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