O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Destilado














Esfregou a cara no chão
Quando reconheceu no meio da multidão
A falta de destreza
Aliada à algumas confusões
E, também, a medíocres opiniões.

Sinto muito lhe informar, meu caro senhor
Que a partir de agora
Tu para sempre viverás
Com a cara encaracolada
Pela opinião do único e, dito, existente
Chamado, soberbamente, de poderoso amor.

Mesquinho, como já se mostrou,
Jamais dividirá,
Seja com qualquer vulgar,
Mesmo que temerosamente dele se aproximar.

Isso sem falar
Que quando estabeleceu sua atitude
A ninguém recorreu uma posição
E para os lados ele sequer
Dirigiu um único olhar
Quando se pronunciou
De forma pecaminosa, já é dele,
A todos os humildes
Todos mesmo e mais os doentes
Conquistaram ao longo dos anos
Tendo a a eles como aliados
Somente o tempo perturbado.

É, meu caro senhor
Para ninguém, sinto muito lhe dizer,
Nadinha de nada restou.

Sinto ainda ter, meu caro senhor,
Algo mais para dizer:
De agora em diante
Tu passarás somente a ser
Mais uma forma de viés
No reino onde a bebida
Mergulha cara e talante
Para os que foram apadrinhados
Pelos de gravatas e avantajados
Saboreiarem empiricamente
Seus apetitosos coquetéis.


Era somente isso, meu caro senhor
O motivo que a ti, a essa hora,
Tempestuosamente e sem pestanejar
Impulsionou-me, mesmo ciente,
Que nulamente algo eu tinha a lhe informar.

Agora só cabe a mim
Pedir sua interferência
Quem sabe com o coração sangrando
Por reconhecer essa miséria toda
Tu possas alguma coisa,
Seja lá de qual forma,
Tentar realizar
Para algumas vidas
Tu conseguires salvar.
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