O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Prece: Quando eu morrer

















Quando eu morrer não quero ninguém chorando ao meu lado
Já não existo, lembrem-se, sou passado.
Quando eu morrer distribuam meus pedaços àqueles precisados
Depois aqueçam o que sobrar e arremessem em qualquer lugar.
Quando eu morrer não permito que ninguém
Vá mês a mês chorar num canto que nunca desejei.
Quando eu morrer me esqueçam, de passado não viverei.
Quando eu morrer, por favor, dêem-me paz
Ao morrer, lembrem-se, não quero nada mais.
Esqueçam o que fiz
Esqueçam o que ouviram ou o que preguei
E olvidem o pouco que rezei.
Festejem, por fim, o otário da vez
Festejem meu último suspiro
Festejem minha palidez.
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