Palavras, poesias, poemas, versos, sonetos, estrofes, contos, crônicas, pensamentos, devaneios...
O caminho...
Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.
Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.
Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade
Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.
Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.
Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.
É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.
Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.
Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.
É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.
Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.
Humana sou.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Saudade
Conflito

A razão me diz que eu deveria cavar um buraco e calçar-me nele. Talvez isso, me afastasse da vida que dia-a-dia transcorre enquanto me afunda profundamente.
O coração me diz que devo prosseguir sem pensar no que pode ou não acontecer após cada instante vivido. Diz-me que devo apenas saboreá-los.
Eu, entre a razão e o coração, atordôo-me. Chego a estontear e sem saber o que fazer me paraliso. Encontro-me agora assim: Paralisada. Estacionada frente ao espelho aventurando não descortinar minha imagem.
Dessa forma, quem sabe eu possa dormir um pouco mais essa noite. Quem sabe...
Arrogância
domingo, 13 de dezembro de 2009
Salvação

Alegras-te!
Deste caminho tu estás a salvo
Olvides por instantes somente da tua agonia
Que já se tornou fruto do passado
Repara bem no que a ti sucedeu
O perdão te aliviou
Finalmente te libertou.
Faz-se agora a hora de prosseguir
Conhecerás outros lugares
Tu terás que partir
Saibas que deixarás saudades
Afinal tu és único quando expressa uma melodia
E também és único entoando uma canção.
Ao mundo, finalmente, exporás teu coração.
Alegras-te!
Sei lá.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Miséria

Sem segurança ele enleia alguns passos curtos.
Percorre o caminho dos que um dia foram domesticados.
Atravessa a vila dos que foram eleitos pela vida a serem desprovidos de pão, arroz, feijão e calçados.
Acredita que pode mudar alguma coisa da divisão há tempos instituída
pelos homens a quem denominamos homens de razão e não humanos de coração.
Solitário ele continua a caminhada.
Sabe que sua presença nessa repartição é miúda e de pouca proporção.
A vereda é descompassada quase que torta e desequilibrada. Segue sem notar qual direção tomar. Afinal a miséria encontra-se em todos os locais.
Enceta uma reza frente aos carecentes. Humanos faltosos de instrução e de um pedaço de pão. Eles não compreendem as primeiras palavras mencionadas. Muito menos entendem a significação.
Perante a carente situação roga para sua alma um pedido de perdão.
E cala-se, então.
Não entende como o mundo acovardou-se diante de uma divisão tão miseravelmente apartada onde alguns saboreiam em seus dias as regalias enquanto outros, a maioria, saboreia as sobras largadas no lixão.
O mundo se constituiu de podridão. É demasiadamente farto para alguns que chegam ao ponto de desprezar seus privilégios enquanto os desprovidos de alimentos adormecem ao relento.
É difícil para o homem entender tamanha desigualdade onde os que tem as prerrogativas não pensam sequer em doação.
É difícil para ele aceitar tal situação.
Amargurado volta para sua casa sabendo que sozinho nada conseguirá alterar para acabar com a miséria espalhada pelos homens que se fizeram angariar de todo bem estar.
Enfim, os miseráveis continuarão apreciando de barriga vazia suas desprezíveis condições.
Mundo ordinário.
Mundo cão.
Anestesiado

O som da chuva acompanha os passos pequenos do homem.
Ele ensaia uma marcha que sai desequilibrada de tão embriagado que se encontra.
Anestesiado, não sabe o que fazer com o dia presente.
Anestesiado, o passado quase que por completo abençoadamente esqueceu.
Ébrio não pensa no amanhã. Tem ciência que pode haver ou não acontecer.
Com passos imponderados pelo efeito da aguardente sai cambaleando e na calçada fria se deita. Rapidamente adormece.
Tem um um sonho agradável. Nele revê a cama em que por tempos e tempos repousou.
Em sua fantasia vê nitidamente a mulher que outrora o acalantou.
Acorda de supetão. Sabe que para sua infelicidade o papel da senhorita ninguém mais haverá de realizar.
Volta para o bar. Pede um copo de cachaça. Seu desejo é de mais um pouco se embriagar. Nada como se embebedar, amortecendo assim, a vida que se tem de encarar. E viva a cachaça.
Travessia

Se tu pensas que ainda tens
Entre as tuas firmes mãos
Meu acanhado e sôfrego coração
Informo-te que estás saboreando
O gosto engenhoso da ilusão.
Não sou tua
Não pertenço a ninguém
Sou minha propriedade
Sou eu, assim,
Minha satisfeita cria.
Sozinha me submeto
Aos meus venturosos dias
Enlevada por uma intensa
E isolada alegria
Produzida por mim
Que haverá de me acompanhar
Sendo minha única e fiel companhia
Para quando eu precisar
Ela abrasada me acalentará.
Marcha esperada
Ciúme
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Delírio consciente

Se existe vida após a morte há alguém responsável pela criação dessa brincadeira. Como pôde edificar uma realidade tão idiota e por nos encarada covardemente?
Esse alguém deixou em nossas mãos a responsabilidade de sermos e tornarmos-nos existência, mesmo ciente de que não temos competência para enfrentarmos a vida como ela se apresenta enquanto atinge nossos acanhados e temerosos dias.
Cegamente seguimos em frente gracejando tolamente essa palhaçada.
Merda.
Mal

Se queres caminhar assim
Por esse caminho ruim
Apresento-lhe com prazer
A aparência da maldade
Para tanto tu terás
O dever de se revelar.
Quem sabe assim
Um dia ao se levantar
Encararás a verdade
Perceberás que extraíram
Da grande multidão
Palavras que revelavam
A crua realidade.
Estão acamados, tornaram-se débeis
Encontram-se encolhidos distantes da sonoridade
Que os homens ordinários
Deveriam consentir
Se conhecessem e aceitassem
Que nesse mundo precário
Haveria de se despejar
Por todos os lados
A esquecida piedade.
Fátuo

Beleza e ostentação
Esse é o resultado da combinação
Presente nas entranhas de tantas pessoas
Que pagam qualquer preço
Para abraçarem na escuridão
A vaidade agarrada às mãos.
Se tu queres caminhar assim
Tenho o prazer de lhe apresentar
O resultado dessa composição
Assemelha-se à falta de essência
Custo caro e o preço só tende a aumentar.
Porém, quem sabe um dia
Tu acordarás com os olhos límpidos
E darás de cara com a realidade
Que não se firma somente pela aparência
Mas, distingue-se, primeiramente,
Através da pesada existência.
Então, tu enchergarás
Que ainda existem
Os que não se destinaram a propagar
A pretensiosa ostentação
De querer se assemelhar
A algo que jamais serão.
Tchau.
Ensaio da dedução

Estranho como tu tomastes ciência sobre o poder do amor
Pensastes que o amor fosse faca de corte afiado
Pensastes que o amor fosse alheio ao destino
Pensastes que o amor fosse alheio à própria vida
E pensastes, também, que o amor fosse alheio até a morte.
Não te ressintas com tua percepção
Abras tua janela
E verás que fora da tua casa
Há uma grande multidão
Perturbada querendo sentir
Na pele e nos pelos o amor
Que traz lamentações
Mas, também, suaviza os corações.
Não te ressintas, pois, não estás só
Em todos os lados existem pessoas
Que perceberam o amor
Isolado, assim como tu.
Contentas-te, afinal, foi tua delicadeza
Que lhe permitiu por instantes ao amor se dedicar
E em teu coração o amor repensar.
Desilusão

Ficar sem ti
Doerá em mim
Mas, haverei de conseguir
E sozinha irei partir.
Sou frágil
Sou como o vidro
Que se despedaça quando encontra o chão.
Porém, o tempo que ao teu lado permaneci
Ensinou-me e transformou o formato do meu coração
Edificou-o em pequeninos quadrados de cimento.
Restrito se transfigurou
No formato de um bolo atulhado
Repleto de amargor e coberto de desilusão
Construído pelas tuas míseras mãos.
Construção

Não te amedrontes com o que virá pela frente
São muitas as versões humanas
Porém, sábia a vida a ti destinou
Perceber o amor
E mundo afora o apresentar.
Caminhes sem parar por entre as diferenças
Persistas sem embaraço ou pudor
Estires em tua jornada
Os laços que compõem o amor.
Tens em tuas mãos essa faceta
Destinada a ti em selado compromisso
Tens em tuas mãos essa faceta
Destinada a ti para o devido ensinamento.
A ti guarneceram tamanho dever
De espalhar o amor pelos corações
Para que cada ser possa sentir e reconhecer
O que é amar e permitir-se
À alguém em amor se entregar.





