O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

sábado, 20 de junho de 2009

Estes versos te dou... by Baudelaire












Estes versos te dou para que, se algum dia,
Feliz chegar meu nome às épocas futuras
E lá fizer sonhar as humanas criaturas,
Nau que um esplêndido aquilão ampara e guia,

Tua memória, irmã das fábulas obscuras,
Canse o leitor com pertinaz monotonia,
E presa por grilhão de mística energia
Suspensa permaneça em minhas rimas puras;

Maldita que, do céu infindo ao mais profundo
Abismo, a mim somente escutas neste mundo!
- Ó tu que, como sombra de existência fátua,

Pisas de leve, sem que aqui jamais te afronte
Nenhum mortal que te suponha amarga, estátua
De olhos de jade, grande anjo de brônzea fronte!

Caminho
















Pensas que sou ingênua
Assim desfrutas das minhas amarguras
Saibas que escolhi esse caminho
Saibas que escolhi meu porto principal
Nunca quis meu bem
Nunca me fiz mal.

Rosas

As rosas não me olham. Eu as desprezo.

Ascensão

















Vôo alto
Vôo firme
Parto
Na direção contrária
Sem esforços
Sou arredia
Não me arrependo
Barganho
Tornei-me uma vadia.

Invisível








Apontas o dedo para o meu nariz
Perdes teu tempo
Não o vejo, és transparente.

Vastidão








Sou um poço
Uma vastidão
Semeando
Com minhas próprias mãos.

Aprofundo-me
Vou de encontro
Machucada
Desencontro o ponto.

Desafio meu orgulho próprio
Caminho pelas pedras
Páro num lugar sombrio
E rio, rio, rio.

Apanhado





Apanhou
Mais uma vez, dormiu
Acordou
Nada lembrou, saiu.
Passeou
Por entre as árvores
Repentinamente
Nada mais viu.
Seus olhos cegaram
Correu, fugiu.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Fim



Não entende nada
Desse disparate
Dessa disparada
Foice – Faca - Facada
Morte – Vida - Acabada.

Avesso






Brigo comigo
Brigo feio
Apanho
Sou o meu oposto
Não sinto amor
Nunca saboreei o gosto.

Miserável

Tu
Esmoleiro
Miserável
Desfavorecido
Esfaimado
Espelhas
Nosso vilarejo
Refletes
Nosso estado.

Povo








Brinquedo novo
Vestidinho de sal
Esbranquiçado esse povo
A viver do assombroso mal.

Do Amoroso Esquecimento

Eu agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

by Mário Quintana

Tenção segundo o Aurélio:

Do lat. vulg. *tentione < *tentiare < tentus, a, um, part. pass. de tendere, ‘contender’.]

Substantivo feminino.

1.Resolução, plano, intento, intenção:

Se a sua tenção é ir rápido, tome um avião;
“- Esta bolsa, mamãe Justa, é que eu trouxe do Recife para Arnaldo. Tinha feito tenção de não lha dar mais, por causa da desobediência que ele praticou” (José de Alencar, O Sertanejo, p. 191).

2.Devoção, veneração.

3.Assunto, tema:
a tenção do livro.

4.Briga, contenda.

5.Heráld. Divisa de brasão relativa a feitos gloriosos.

6.Jur. Voto escrito e fundamentado que, nos julgamentos de segunda instância, os juízes divergentes dão em separado. [Nesta acepç., cf. voto vencido. Cf. ger.: tensão.]

Tenções dobradas. 1. V. trocadilho (1).

Tenção
















Intenta
Articula
Formas
Jeitos
Modos
Possibilidades.

Procura
Um meio
Um caminho
Uma maneira
Um feitio
De satisfazer sua vontade.

Vacância

















Vagabunda
Vadia
Falsa
Mentirosa
Denuncia
Com o olhar
Sua podridão
Seu bem estar.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Nossas tardes

















As tardes chegam
E trazem seus receios
Afloram nossos medos
Entristecem nossas almas
Que acreditam merecer
Um pouco de alegria.

Então, fortalecem-se
Trocam de roupa
Pintam o rosto
Enfeitam-se e
Ensaiam uma saída
Mas, retraídas permanecem
No mundo que já conhecem.

sábado, 13 de junho de 2009

Desatinado


















Acordou desatinado
Mais um dia pela sempre
De cara deparou com a sua dor
Que adentrou pela porta da frente.

Ainda entre os lençóis amarelados
Remoeu alguns pensamentos pesados
Ensaiou uma agenda
Mas, burlou o novo diário.

Dormiu um pouco mais
Imóvel, quieto, afastado
Coberto pelos lençóis
Quente, acobertado.

Lamedo



Podridão
Escárnio
Lama
Carvão.

É hora
Agora
De ir-te embora.
Meu caminho
Pisará mais não.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Retrato






Esfrego na tua cara o resto da minha melancolia.
















Branco
Verde
Morte
Aliança.

Aplausos
Aplausos
E
Alguma esperança.

Roxo
Lilás
Preto
Muito preto.

Mantemos a distância perspicaz
Sem pensar na sorte sagaz
Rarefeita, nunca e jamais.
Mantemos a distância perspicaz.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Fome














Barriga d´agua
Barriga feia
Corre nas veias
Um sangue claro
De quem se alimenta pouco
Em momentos raros.

Alma partida




Ela olha, ela escuta
Aquele que a desagradou
Aquele que sua alma feriu
Com martelo partiu,
A alma não mais se juntou.

Os canos estão largados no chão
Ali estão,
Por lá ficarão.

Acabou meu amor, acabou


















Acabou meu amor, acabou.
Dessa vez para sempre terminou
O que torto, recorda, principiou.

Por mais que nos doa a saudade
Por mais que nos doa a ausência
Longe um do outro havemos de ficar
Para sempre sós nos sustentaremos.

Cientes somos:
Não nascemos para viver a dois
Não conhecemos o amor
Desconhecemos o amar.

Resolvido está
Não mais te verei
Tu não mais me verás.

Mais uma vez sucumbiremos a nós
Sucumbiremos às nossas ordinárias mentiras
Tu envergonhado pelo ciúme
Eu envergonhada pelo medo impune.

Por fim, voltaremos
Aos nossos mundos perturbados
E agarraremos nosso piedoso passado.

Acabou meu amor, acabou.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Menina













Uma melodia, uma canção
Uma menina carente
Andando na contramão.
Não receia, não foge
Sabe que em breve a buscarão.

Estranheza







Aplaudo minha insanidade
É ela que me mantem em pé.
É ela que me acolhe e abraça.
É ela que me mostra o caminho.

Merda









Meu corpo dói
Minha alma pesa.

Eu








Diariamente afundo-me um pouco mais na minha própria ignorância.

Realidade


















Sou fraca e covarde
O medo me consome
Medo de respirar
E não encontrar o ar.

Sou hipócrita
Engano-me diariamente
Com a capa da alegria
Meu coração é solitário, é triste.

Minto, iludo, engano
Sou perversa e arrogante
Não preservo sentimentos
Mantenho-me sempre distante.

sábado, 6 de junho de 2009

Peso

















Sinto fome, sinto frio
Da minha barriga vazia
Vaza um intenso calafrio.

Olho para mim
Não vejo ninguém
Sei que somente uma pessoa
Sabe quem sou
E me vê além do além.

Não me preocupo
Não me irrito
Nem falo palavrão
Sou mansa desde sempre
Sou mansa desde então.

Vou para a rua
Busco me embriagar
Qualquer líquido serve
Tudo que quero
É algo que me tire do ar.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Caminho






Quisera partir
Quisera que me deixassem ir.

Aparências


Perdi a vaidade
Sem charme não arrebato mais olhares curiosos
Perdi a vaidade
Entreguei-me, finalmente, à minha desilusão.

Dó




Afirmo-lhes:
Sou apenas uma poetisa perdida
Ansiando somente ser lida.

Poço




Afundei-me.
Calmamente elaborei
O meu póprio náufrago.
Pobre de mim,
Enternecida pelo ópio
Afundei-me,
Afundei-me sim.

Para sofrer um pouco mais










Vou a missa mesmo sem ter fé
Brinco na igreja
Pertubada, não quero mais sair desse lugar.
Teimosa, finco meus pés
Teimosa, ajoelho-me perante uma imagem
E gargalho até perder o ar.
Chegou a hora,
Não deixarei passar
Esperei tanto
Pela hora de me matar.

Para aliviar a minha dor





Penso no estrago ao qual me entrego diariamente
Antecipo, assim, o meu final.
Firmo-o na minha insana mente
Louca proclamo
Ergo bandeiras
Louca, ainda reclamo.

sábado, 23 de maio de 2009

Sangra coração


Sangra coração
Sangra seriamente
Nem percebe, tolo
Que não se faz razão.

Aperta esse peito
Tenta enlaçar
Força calmamente e direito
Mas não consegue sufocar.

Sangra coração
Sangra.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Moinho
















Tornou-se um moinho
De canto arredado
Refendido, supliciado.

Tornou-se um moinho
Máquina de triturar
Paixões árdegas a destroçar
Amores e amantes a desarranjar.

Tornou-se um moinho
Da mãe expatriado
Do caminho do amor desviado.

Tornou-se um moinho
Infausto a saborear
Seu castigo
Seu castigar.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Minha parede vermelha
















Ela me fita. Maldita. Soberana.
Faz-me sentir menor do que me reconheço
Pareço grande, mas sou pequena
Ela gosta e acaba por me tornar
Um pedaço da minha crença- maldita doença.

Apropriada passeia pelos meus pensamentos
Almeja minha alma, esse tormento
Talvez eu entregue o que ela quer
Sou humana, sou minúscula, sou mulher.

Com coragem e arrepiada
Fito-a por alguns instantes
Tenho medo, viro-me
Ela é grande, pra mim gigante.

Dou partida, vou de primeira
Lenta, faço de conta que vou embora
Mas continuo ali parada
E ela a me olhar tão desencantada.

Bem sei por que de mim se apropriou
Do que já fui, do que ainda sou
Maldita minha parede vermelha
Virei sua presa, sou seu horror.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Círculo Vicioso by Machado de Assis

















Bailando no ar, gemia inquieto vagalume:
"Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!"
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:


"Pudesse eu copiar-te o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela"
Mas a lua, fitando o sol com azedume:


"Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume"!
Mas o sol, inclinando a rútila capela:


Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Tirania
















Espelho-me nessa hora
Àquilo que realmente sou
Fiz de mim um lixo vão
Alerto: - Creia nisso tudo não.

Sou hipócrita, sou mesquinha
E esmago na palma da minha mão
A tua vulgar soberania.

Bem sei que aquilo que me fascina
Ridiculariza mulheres e meninas
Continuo...

E com meu salto oito
Piso na tua face clara
E embaço de novo tua cara.

Meu Ser Evaporei na Lida Insana by Bocage

Meu ser evaporei na lida insana
Do tropel de paixões, que me arrastava.
Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim quase imortal a essência humana.

De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe a Natureza escrava
Ao mal, que a vida em sua origem dana.

Prazeres, sócios meus e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumio dos desenganos.

Deos, oh Deos!... Quando a morte a luz me roube,
Ganhe num momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Chibatada






Mundo de aço
Onde falta espaço
Para aqueles
Que ao meio dia
Não sentam
Não comem
Alimentam-se friamente
Somente de fome.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Mãos Dadas by Carlos Drummond de Andrade
















Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela, não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Entidade


















Dia a dia a futilidade
De sermos nós a humanidade
Alvitram minha memória:
- Alma não existe!

Se algum dia existiu
Fugiu desesperançada
Ao deparar com a miséria
Pelo mundo alagada.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Pesar



O pesar do sentimento
O sentido do pensar
O pensar no acontecimento
A máscara - mais importante -
Disfaçar.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Estranho







Reduto do desconhecido
Estranhamento do pobre nascido
A luz brilha serena
Na cabeça da ainda pequena

Enquanto desliza a língua
Pelas pernas da menina
Avista na boca da esquina
A única que sua fraqueza anima

Apressa-se ao encontro da cobiçada
Segue rápido sem parar
Cantarola na passarela
Seus passos e o regresso dela

Bem próximo pára esfacelado
Não há forças para seguir
Estremece no cimento puro
Um suspiro a sucumbir.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

by Bob Marley

"Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação.
Porque sua consciência é o que você é e sua reputação é o que os outros pensam sobre você. E o que os outros pensam é problema deles!!!"

Acrescer






Ao conhecer sua sentença agastada
O homem pequeno sequer ponderou
Veloz, fugiu há alguns dias
- Fuga da vez, fuga tardia -
Da penitenciária tacanha e fria.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Amanhã


















Por décadas e décadas me sustentei na solidão
De pensar no outro dia - nem sei se viria -
Enquanto isso entre meus dedos
O lânguido hoje escorria.

Nas fraudes dessas horas
Sobrepus minha história
Ensaiei o embuste do futuro
Sem direito a qualquer glória.

- Amanhã, amanhã
Porque te apresentas no dia atual?
Torturas cada instante meu
Fruindo o medo e a amargura
Daquilo que não aconteceu.

- Amanhã, amanhã
Porque me fazes tanto mal?
Tua sobrevivência somente se dá
À custa de me incomodar.

- Vai-te embora amanhã
O hoje não te pertence
Quero a chance de viver
Meus instantes únicos e presentes.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Cartas a Um Jovem Poeta - Rainer Maria Rilke

"Evite de início as formas usais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza — relate tudo isto com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela. Procure soerguer as sensações submersas deste longínquo passado: sua personalidade há de reforçar-se, sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre o lusco e fusco diante do qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar. Se depois desta volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará em perguntar seja a quem for se são bons. Nem tão pouco tentará interessar as revistas por esses seus trabalhos, pois há de ver neles sua querida propriedade natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade..."

- Primeira Carta
- Fonte Cartas a um jovem poeta tradução de Paulo Rónai - Ed. Globo - 10a. edição

domingo, 28 de dezembro de 2008

Prece: Quando eu morrer

















Quando eu morrer não quero ninguém chorando ao meu lado
Já não existo, lembrem-se, sou passado.
Quando eu morrer distribuam meus pedaços àqueles precisados
Depois aqueçam o que sobrar e arremessem em qualquer lugar.
Quando eu morrer não permito que ninguém
Vá mês a mês chorar num canto que nunca desejei.
Quando eu morrer me esqueçam, de passado não viverei.
Quando eu morrer, por favor, dêem-me paz
Ao morrer, lembrem-se, não quero nada mais.
Esqueçam o que fiz
Esqueçam o que ouviram ou o que preguei
E olvidem o pouco que rezei.
Festejem, por fim, o otário da vez
Festejem meu último suspiro
Festejem minha palidez.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

sábado, 13 de dezembro de 2008

Solidão,
A gente pensa que não sente
Enganamo-nos, tudo bem,
Mentimos pra gente
Entupindo de ar infamado
Nossas perniciosas mentes.

Mesmo assim, seguimos em frente
Rumamos rebeldes e insistentes
Para, por fim, descobrirmos, miseravelmente,
Que solidão é um desejo vasto e permanente.