O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Cenário Da Ruptura

Sim, o tempo passou,
Rápido, rasteiro e impiedoso,
Ali mesmo, por mais alguns instantes,

Os dois permaneceram.

Em suas mentes vieram as imagens,
Passaram, rapidamente, todos os retratos,
Guardados, um por um, silenciosamente.

Não, não haverá amanhã para esse casal,
Quanto ao ontem todo se desfez,
Não pedirão sequer - nunca - 
Nem pensar - não - perdão.

Ela fará o mesmo percurso outrora realizado,
Agora, rumará lado contrário,
Enquanto ele, mesmo desejoso,
Jamais permitir-se-á,
Sua face uma lágrima molhar.

Acabou o caso do casal,
Enquanto a cortina transparente de voil,
Continuará pendurada encardida
Na porta da sala central.

Possibilidade ínfima sequer,
Poderá, um dia, 
Unir de novo - ah, poderia -
Esse homem à essa mulher.

Prolongado por uns dias,
Fez-se o fim,
Tanto para ele,
Quanto para mim.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

John Lennon - Imagine (original instrumental)

“Sou grata à fé,
Que não me cegou,
E, o baque atenuou,
À infelicidade do fato...
- Previsto - ”. By Ana Gill







José - Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio — e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?


quarta-feira, 11 de maio de 2016

Tia Minha Socorro

Tia Socorro, 
Meu amor pela senhora será infindo,
Irá além do eterno. 


Obrigada por ter sido sempre minha tia,
Tão minha tia minha!


Eu, pequena e mulher feita,

Sempre,
Sua 'Vaninha'.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Pesar

Duro. 
    
                       Difícil. 
    
             Doído.
 
      Pesado.


Arranha.

       Machuca. 

Rasga. 

 Sugado.


Aponta com a ponta suja aguda.

                  
                             Sente sem querer o que não crê.
                   

                                           Futuro não há.

    
                Duro difícil penoso pesar.


                                      Pesar que se paga por em nada ceder. 

                                         
Pobre esse SeR?

                                     Sei não. 

Jamais pensei. 

                         Sequer imaginei. 

Nunca pensei
      
                      Que vaidade assombrada,


Sangrasse na pele fechada.

          
                         Só esse ser seguirá só


                                  Eternidade a viver acompanhado do pesar a ele necessário.


domingo, 1 de maio de 2016

Estio

Seca,
Nua,
Crua,
Tanto por dentro,
Quanto por fora.

Dentro dela também um vazio a envolve,
Depois se auto expele pelo nariz, olhos e outros poros.

Ela deixa a casa,
Segue rua adiante,
Caminha e não repara,
Em quem nela repara,
Somente frente a uma vitrine,
Percebe seu corpo desnudo.

Plateia pequena ovacionou,
Ela sequer se abalou,
Se, era ordinária e vil,
Os demais filhos de putas,
Que nenhum sequer pariu.

Quando a plateia decidiu de novo gritar,
Desnuda, despida, seca e também incrédula,
Ela percebeu a quão vil e ordinária poderia ser.

Praguejou a todos que a rodeavam,
Ofendeu mães, filhas, pais, talvez até tias,
Nem por um momento sentiu pesar,
Agora aquilo que se fazia resto,
E resto se joga no lixo.

Resto essa mulher não iria mais ingerir
Resto alguma essa mulher se permitiria,
Novamente deglutir.

A partir desse momento,
Deu-se conta de que só haveria,
Uma única maneira de ajuizar:

- Ou seria do jeito dela,
Ou ele poderia à casa da mãe retornar.

Se por um tempo ela permitirá,
Que ele logo a moesse como lixo orgânico.

Agora, seca e vazia,
A explorar seu papel vil,
Não seria a morte dela,
Ele a celebrar.

Inverteram-se os pesadelos:

- Agora sou eu quem te esmago,
Pisoteio,
Arranco-te da casa, sem nada,
Desnudo e descalço,
E lanço com essa força que ganhei,
Um merecido pé na sua bunda.

Tratar logo de escolher,
Frouxo, bundão,
Em qual estrada tu,
Há de bradar por nela correr.

Problema teu, meu bem
Problema teu, neném,
No meu ventre não te carreguei,
Nem em meus seios te amamentei.

Problema teu, meu exibem,
Ponha-se daqui para fora,
E, por definitivo, esqueça,
O caminho de volta.

Para mim foi uma década de azaração,
Consolo-me, porém, em saber,
Que para ti,
Serão décadas de humilhação.


Tchau bundão!

Ah...

Como assim?
Como poderei eu assimilar,
Que o meu eu você insiste,
Em mim, logo, encontrar?

Ah...

Esqueça,
Nem você,
Nem minha mãe,
Nem eu,
Nem o pai,
Nem mais ninguém,
Chegou a conhecer,
O caminho tomado,
Naquela tarde chuvosa,
Por esse peregrino – meu eu meu - tão estragado.

Ah...


Tendência

Oi, desculpe,
Cheguei,
Sei que demorei.

Mas, cá estou,
Com a noite quieta,
Que ainda nos aguarda,
Repara, amor, repara,
Será ela a nos abraçar? 
Será?

Sim,
Fiz sim,
Fiz o percurso de volta,
Direitinho do jeito que você me ensinou.
Sabias que voltaria, não?
Então, porque, deixou-me ir?

Meses fiquei longe, 
Longe de ti,
Meses fiquei tão...
Não, não falo mais disso,
O recomeço para nós,
Dá-se agora.

Engano seu,
Desde que se foi,
Seu espaço cedi,
Para flores e cordão,
E, todo os dias,
Faço ramalhetes,
Imaginando que um dia,
Um deles contigo carregaria.

Antes que me perca,
Perante tantas palavras,
Preciso lhe contar,
Que não voltei por você,
Não, não e não,
Voltei somente por mim.

Desculpe, nada entendi.

Olhe aquela janela,
Parece cinzenta - é não -
Por dentro e por fora toda esverdeada.

Só veio para isso?
Responder não posso,
Não sei o que dizer,
Melhor calar.

Primeiro calo eu,
Em seguida cala você,
Não conheço outra forma,
Disso vir a funcionar,
Lua clareando ao lado,
Casa apedrejada por lá.

Vá.
Vá.
Vá.

Ou... 


sábado, 30 de abril de 2016

Reveres

Religião?
- Não,
Tenho não.

Religião?
- Obrigada,
Quero não.

Religião?
- Fede,
Podridão.

Religião?
- Ópio,
Enganação.

Religião?
- Males,
Mentiras,
Fraudes,
Falcatruas.

Religião?
- Intolerância
Desamor,
Ódios,
Intrigas,
Também suor,
Do fétido terror.


Religião?
- Vestes em seda,
Supõe bênção e doação.

- Lábia -

Triste,
Nada,
Eis que vaga,
Vaga em vão!

Religião?
- Sucesso enaltecido,
Sim, adquirido,
De quem?
Lembra não.

Lembro eu:
- Roubou,
Extorquiu,
Dos outros tomou.

A todos os enganados,
Deu-se o perdão,
A todos os enganados,
Eis a liberdade,
Por direito, a ti clamarão:

- Ladrão, ladrão, ladrão!

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Eu te amo, ah...

Eu te amo,
Triste constatação,
Tu me fazes sofrer,
Tem muita interrogação.


Eu te amo,
Triste constatação,
Tu me fazes sofrer,
Mente e também coração.


Eu te amo,
Triste constatação,
Deixarei que esse amor parta de vez,
Tudo que por nós dois foi vivido,
Experimentado, apaixonado e partido,
Vai-se agora e rola no chão,
Outra vez, de novo, em vão,
Não!


Perdão, nunca mais, não!


Adele - Hello

R.E.M - Everybody Hurts (Live)


OMG: Para mim e para sempre a música mais linda e perfeita já criada na terra.

Parabéns Stipes. Você toca meu coração com aço pontiagudo, mesmo não querendo, 'sometimes hurt me'.



domingo, 17 de abril de 2016

Kodaline - 'All I Want'

“Nosso Estado democrático, cruelmente CONQUISTADO, jamais nos será ROUBADO!"

#acordacerebromeu    #NãoVaiTerGolpe 

Súplica e desabafo meus amigos, ocorridos madrugada adentro.

Tenho fé no futuro. Sim. Também tenho esperança. Mas, misto a isso, tenho medo, muito medo dos efeitos colaterais que resultarão desse processo maquiavélico para tomada do poder, independente do resultado final.

Os brasileiros não se calarão, nem aquietarão. Por isso, não podemos permitir que:  “Nosso Estado democrático, cruelmente CONQUISTADO, jamais nos seja ROUBADO!" By Ana Gill Benício.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O cessar da nossa história

Que saia de mim,
De dentro pra fora.

Que saia de mim,
Que seja agora.

Que saia de mim,
Permaneça nem mais hora.

Que saia de mim,
Que vá rua afora.

Que saia de mim,
E vá logo embora.

Tudo isso porque,
Aqui dentro, em mim,
Dói a dor do dorido.

Tudo isso porque,
Aqui dentro, em mim,
Dói a dor da chorosa.

Tudo isso porque,
Aqui dentro, em mim,
Dói a dor,
Daquilo que se foi outrora.

Que saia de mim,
Que vá logo embora.

Que saia de mim.
Novo caminho vá conhecer,
Porque tolamente o que fiz,
Foi meu passado desmerecer,
Nada erguido restou,
Nada do vivido sobrou.

Bem como, de nós, eu e você,
Nada resta mais agora,
Nem por dia, sequer por hora,
Nem para mim,
Tua ex-senhora,
Essa que ainda teima,
Em se fazer meio chorosa.

Peço a ti que ao ir de mim,
Pise fortemente,
Quem sabe assim,
O solo poderá até marcar,
O último passo que tu.
Por aqui venha a firmar.

Acordo combinado - eu e você -
Daqui para a frente,
- Na tua ou na minha mente -
Nada a lembrar,
Meio riso nem pensar esboçar,
Seja ao dormir,
Seja ao acordar.

Até que chegado o dia,
Quando se dará a total libertação,
O dia em que nossas mentes fora porão,
Do meu e teu peito – coração, coração,
Esse será o percurso tomado,
Para nossa história vivida,
Agora tão franca, perdida,
Possa, enfim, ser enterrada,

Que saia de mim,
Que vá logo embora,
Que saia de mim,
Por favor, vá agora.

Que saia de mim,
E, por completo,
Faça-se de esquecido,
Do caminho tão percorrido.

Que saia de mim,
Não deixe estrada alguma mapeada,
Que saia de mim,
Simbolizando nossas vidas passadas,
Doem agora, judiadas,
Momentos ínfimos de clamor,
Doem agora, judiadas,
Momentos ínfimos em alvorada.

Percebes, agora por final,
O que de fato transcorreu?
Nosso amor imaginado,
Sentido e pelos poros dos corpos trocados,
Relutou inutilmente em resistir,
Nem ao meu ou teu ciúme,
Mas à toda a desconfiança,
Que habita ainda hoje em ti,
Homem que chamo agora de criança.

Pela última vez,
De meu amor te chamo agora,
Somente para te te lembres sempre,
Que o final dessa história,
Por um só não foi narrada.

E, por fim, agradeço
A pequena vida a dois consternada,
E, por fim, agradeço,
Saber que tu serás o responsável,
Em rapidamente me fazer te esquecer.

Agora chega,
O adeus por muito se estendeu,
Saia, por favor, vá,
Lembre-se somente de pendurar,
A cópia da chave – maldita sala de jantar – .

Volto-me para o quarto,
Sem pensar no que acabara de acontecer,
Volta para o meu quarto,
Preciso, um pouco, adormecer.

Zona de perigo

Hás que suar mulher, 
Para teres o domingo que quer!


Vais ou não vais?

Tens um segundo para dizer se vai ou se ficas
Se for, terás meia hora para arrumar todas tuas tralhas
Depois disso, dou-te três minutos para atravessar esse corredor
E, definitivamente, dar o fora daqui!
Não, nem pergunte,
Não há opção para sua estadia
Esqueça, pura retórica tardia.



terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Mãezinha

Mãe não penses em mim como alguém capaz
Saibas que me escondo atrás dos lençóis que tu lavas
Sempre, durante todos dias
Depois que tu anuncias
Tua reza diária
E vanglorias teu senhor
Num ato sereno de amor.

Mãe, tu sempre desejaste
Viver por mim
Viver para mim
Para me extrair
Da dor que o mundo
Far-me-ia sentir.

Mãe, precisas tomar ciência
Apregoou lhe que não sou apta
O medo que sinto da vida me abstrai
E, assim, faz-me incapaz.

Mãe, saibas que quando saio por aí sozinha
O que queria na realidade
- Escuta essa verdade -
Era ficar em casa
Com a cabeça recostada
Em teu colo, mãezinha.

Mãe, tu que sempre ambicionou
Um sonho para eu na vida percorrer
Mãe, tu que sempre ambicionou
Uma quimera em minhas mãos despejada
Mãe, tu tens que saber
O quanto sou inadequada
Para a vida viver.

Mãe, é assim que levo
Meus dias e minhas noites
Mãe, é assim que sobrevivo
Ao medo do invisível
Ao que desconheço

Esse temeroso e imprevisível.