O caminho...

Intento, ainda acanhada, entregar-me às letras, sílabas, palavras, frases e o que se pode obter dessa junção. Coisa linda a mistura das palavras.


Sempre fui encantada pela nossa Língua e tive a oportunidade de ter como mentora, na antiga quinta série, a professora de LP Maria Alice.

Seu saber e envolver a todos nós, seus alunos, fez-me, literalmente, apaixonar-me por uma mulher aos onze anos de idade

Paixão platônica, pueril, inocente e verdadeira. Nascida da admiração do saber e ir além fazendo os outros também participarem desse conhecimento espetacular, quanto se trata de se entregar à Língua Portuguesa.

Vivo pelos cantos, tanto internos quanto externos, de caderneta em punho e caneta entre os dedos. Do nada, vejo uma imagem ou ouço uma palavra perdida num bar e dali parto para uma história vinculada à alguma vivência minha, da infância difícil até a executiva promissora, e me abro para o mundo das letras.

Meus dedos percorrem rapidamente a caderneta anotando o que me for possível trazer à tona, num momento posterior, de pura entrega, dedicar-me a misturar palavras, ritmos, sentidos, além, de uma boa dose de singularidade.

É assim que construo sem pressa meus poemas, versos, sonetos, também minhas crônicas, prosas e contos.

Foi a poesia que me salvou de me destruir na minha mais pura e insólita melancolia.

Foi a poesia que me salvou de mim mesma, impediu que eu ultrapassasse a linha da imaginação e fosse para algum lugar nunca antes visitado.

É a poesia, o verso, a magnitude da construção literária que me mostram quem realmente sou.

Oras posso valer até um milhão, mas sei tão bem que não valho sequer um tostão.

Humana sou.

sábado, 13 de junho de 2009

Desatinado


















Acordou desatinado
Mais um dia pela sempre
De cara deparou com a sua dor
Que adentrou pela porta da frente.

Ainda entre os lençóis amarelados
Remoeu alguns pensamentos pesados
Ensaiou uma agenda
Mas, burlou o novo diário.

Dormiu um pouco mais
Imóvel, quieto, afastado
Coberto pelos lençóis
Quente, acobertado.

Lamedo



Podridão
Escárnio
Lama
Carvão.

É hora
Agora
De ir-te embora.
Meu caminho
Pisará mais não.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Retrato






Esfrego na tua cara o resto da minha melancolia.
















Branco
Verde
Morte
Aliança.

Aplausos
Aplausos
E
Alguma esperança.

Roxo
Lilás
Preto
Muito preto.

Mantemos a distância perspicaz
Sem pensar na sorte sagaz
Rarefeita, nunca e jamais.
Mantemos a distância perspicaz.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Fome














Barriga d´agua
Barriga feia
Corre nas veias
Um sangue claro
De quem se alimenta pouco
Em momentos raros.

Alma partida




Ela olha, ela escuta
Aquele que a desagradou
Aquele que sua alma feriu
Com martelo partiu,
A alma não mais se juntou.

Os canos estão largados no chão
Ali estão,
Por lá ficarão.

Acabou meu amor, acabou


















Acabou meu amor, acabou.
Dessa vez para sempre terminou
O que torto, recorda, principiou.

Por mais que nos doa a saudade
Por mais que nos doa a ausência
Longe um do outro havemos de ficar
Para sempre sós nos sustentaremos.

Cientes somos:
Não nascemos para viver a dois
Não conhecemos o amor
Desconhecemos o amar.

Resolvido está
Não mais te verei
Tu não mais me verás.

Mais uma vez sucumbiremos a nós
Sucumbiremos às nossas ordinárias mentiras
Tu envergonhado pelo ciúme
Eu envergonhada pelo medo impune.

Por fim, voltaremos
Aos nossos mundos perturbados
E agarraremos nosso piedoso passado.

Acabou meu amor, acabou.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Menina













Uma melodia, uma canção
Uma menina carente
Andando na contramão.
Não receia, não foge
Sabe que em breve a buscarão.

Estranheza







Aplaudo minha insanidade
É ela que me mantem em pé.
É ela que me acolhe e abraça.
É ela que me mostra o caminho.

Merda









Meu corpo dói
Minha alma pesa.

Eu








Diariamente afundo-me um pouco mais na minha própria ignorância.

Realidade


















Sou fraca e covarde
O medo me consome
Medo de respirar
E não encontrar o ar.

Sou hipócrita
Engano-me diariamente
Com a capa da alegria
Meu coração é solitário, é triste.

Minto, iludo, engano
Sou perversa e arrogante
Não preservo sentimentos
Mantenho-me sempre distante.

sábado, 6 de junho de 2009

Peso

















Sinto fome, sinto frio
Da minha barriga vazia
Vaza um intenso calafrio.

Olho para mim
Não vejo ninguém
Sei que somente uma pessoa
Sabe quem sou
E me vê além do além.

Não me preocupo
Não me irrito
Nem falo palavrão
Sou mansa desde sempre
Sou mansa desde então.

Vou para a rua
Busco me embriagar
Qualquer líquido serve
Tudo que quero
É algo que me tire do ar.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Caminho






Quisera partir
Quisera que me deixassem ir.

Aparências


Perdi a vaidade
Sem charme não arrebato mais olhares curiosos
Perdi a vaidade
Entreguei-me, finalmente, à minha desilusão.

Dó




Afirmo-lhes:
Sou apenas uma poetisa perdida
Ansiando somente ser lida.

Poço




Afundei-me.
Calmamente elaborei
O meu póprio náufrago.
Pobre de mim,
Enternecida pelo ópio
Afundei-me,
Afundei-me sim.

Para sofrer um pouco mais










Vou a missa mesmo sem ter fé
Brinco na igreja
Pertubada, não quero mais sair desse lugar.
Teimosa, finco meus pés
Teimosa, ajoelho-me perante uma imagem
E gargalho até perder o ar.
Chegou a hora,
Não deixarei passar
Esperei tanto
Pela hora de me matar.

Para aliviar a minha dor





Penso no estrago ao qual me entrego diariamente
Antecipo, assim, o meu final.
Firmo-o na minha insana mente
Louca proclamo
Ergo bandeiras
Louca, ainda reclamo.

sábado, 23 de maio de 2009

Sangra coração


Sangra coração
Sangra seriamente
Nem percebe, tolo
Que não se faz razão.

Aperta esse peito
Tenta enlaçar
Força calmamente e direito
Mas não consegue sufocar.

Sangra coração
Sangra.